Tricomoníase: sintomas, tratamento e como contar ao seu parceiro
A tricomoníase é uma infeção sexualmente transmissível muito comum causada por um parasita. A maioria das pessoas não tem sintomas, sobretudo os homens, por isso pode passar de um parceiro para outro sem que ninguém note. Cura-se com antibióticos e o essencial é que o parceiro se trate ao mesmo tempo.
O que é a tricomoníase?
É causada pelo parasita Trichomonas vaginalis, que infeta a vagina e a uretra nas mulheres e a uretra nos homens. É a IST curável mais frequente no mundo. Sem tratamento pode durar meses ou anos, aumenta o risco de contrair outras IST, como o VIH, e na gravidez pode favorecer um parto prematuro.
Sintomas da tricomoníase
Entre 70% e 85% das pessoas não têm sintomas ou têm apenas um desconforto ligeiro. Se aparecerem, costumam surgir entre 5 e 28 dias depois do contágio:
- Nas mulheres: corrimento amarelo-esverdeado, espumoso e com mau cheiro, comichão, vermelhidão e ardor na vagina, desconforto ao urinar e dor nas relações.
- Nos homens: comichão ou irritação dentro do pénis, ardor ao urinar ou ao ejacular e, por vezes, corrimento pelo pénis.
Como se transmite a tricomoníase?
Transmite-se sobretudo por sexo vaginal sem preservativo, por contacto vulva com vulva e pela partilha de brinquedos sexuais sem os lavar. A infeção na boca ou no ânus é pouco frequente.
Teste e diagnóstico
Diagnostica-se com uma amostra do corrimento vaginal ou da uretra, ou com uma análise à urina. Os testes moleculares (PCR) são os mais fiáveis. Se o resultado for positivo, faça também o teste de outras IST.
Tratamento da tricomoníase
Cura-se com antibióticos como o metronidazol ou o tinidazol: nas mulheres costuma indicar-se um tratamento de 7 dias e nos homens pode bastar uma dose única. É imprescindível que o seu parceiro se trate ao mesmo tempo, mesmo sem sintomas, para não voltarem a infetar-se.
Não tenha relações sexuais até ambos terem terminado o tratamento e os sintomas terem desaparecido.
Como contar ao seu parceiro que tem tricomoníase
Contar é imprescindível: se o seu parceiro não se tratar, é muito provável que volte a infetá-lo. Algumas orientações:
- Seja claro e evite culpas: a tricomoníase pode passar meses ou anos sem sintomas, por isso não indica quando nem de quem veio.
- Explique que nos homens quase nunca dá sintomas, para que não pense que não a tem.
- Peça-lhe que se trate ao mesmo tempo e que não tenham relações até ambos terminarem.
- Escolha o meio: pessoalmente, se for o seu parceiro estável; com um parceiro ocasional pode bastar uma mensagem.
Se não puder ou não quiser fazê-lo pessoalmente, tem duas alternativas: pedir ajuda no seu centro de saúde, onde em alguns casos são os profissionais que avisam os contactos, ou enviar um aviso anónimo por SMS ou e-mail com o aviso IST, sem que apareça o seu nome nem o seu número.
Quem deve avisar?
O seu parceiro atual e as pessoas com quem teve relações nos últimos 3 meses, como costumam recomendar as orientações de saúde. Todas devem receber tratamento, mesmo que não tenham sintomas.
Se foi avisado de que pode ter tricomoníase
Marque uma consulta no seu centro de saúde ou numa consulta de IST e explique que um parceiro tem tricomoníase. O habitual é tratarem-no mesmo que não tenha sintomas. Não tenha relações até terminar o tratamento.
Como prevenir a tricomoníase
Use preservativo no sexo vaginal, lave os brinquedos sexuais ou cubra-os com um preservativo novo para cada pessoa e faça testes se tiver parceiros novos.
Perguntas frequentes sobre a tricomoníase
Posso voltar a apanhar tricomoníase?
Sim. Tê-la tido não protege de novas infeções e a reinfeção é frequente, sobretudo se o parceiro não se tratou. Por isso, nas mulheres recomenda-se repetir o teste cerca de 3 meses depois do tratamento.
A tricomoníase transmite-se pelas toalhas ou na piscina?
É muito pouco provável, tal como pelos assentos da sanita. O parasita sobrevive pouco tempo fora do corpo e transmite-se quase sempre por contacto sexual ou pela partilha de brinquedos sexuais.
Outras infeções sexualmente transmissíveis
Sífilis · Gonorreia · Herpes genital · VIH · Piolhos púbicos (chatos) · HPV e condilomas · Clamídia · Candidíase · Hepatites A, B e C · Sarna · Mpox (varíola dos macacos)
Fontes: SNS 24: comportamentos sexuais de risco; CDC: guia de tratamento da tricomoníase (em inglês).Informação de divulgação atualizada em outubro de 2026. Não substitui a consulta com um profissional de saúde.
