Clamídia: sintomas, tratamento e como contar para o seu parceiro
A clamídia é uma das infecções sexualmente transmissíveis (IST) mais comuns. A maioria das pessoas que têm clamídia não sente nada, por isso ela pode passar meses sem diagnóstico. É detectada com um exame simples e tem cura com antibióticos. Nesta página explicamos os sintomas, o tratamento e como contar para o seu parceiro se você recebeu o diagnóstico.
O que é clamídia?
É uma infecção causada pela bactéria Chlamydia trachomatis. Ela pode afetar a uretra, o colo do útero, o reto, a garganta e, com menos frequência, os olhos. Não é o mesmo que candidíase, que é causada por um fungo. Alguns tipos dessa bactéria causam o linfogranuloma venéreo, uma forma mais agressiva que afeta principalmente o reto e os gânglios da virilha.
Sintomas da clamídia
Mais de 70% das mulheres e metade dos homens com clamídia não têm sintomas. Quando aparecem, costumam surgir entre 1 e 3 semanas depois da relação sexual:
- Nas mulheres: corrimento vaginal anormal, ardência ao urinar, sangramento entre as menstruações ou depois das relações e dor no pé da barriga ou durante o sexo.
- Nos homens: secreção pelo pênis, ardência ao urinar e dor ou inchaço nos testículos.
- No reto: dor, secreção ou sangramento.
- Na garganta: quase nunca dá sintomas.
Mesmo sem sintomas, a infecção pode avançar. Sem tratamento, nas mulheres pode causar doença inflamatória pélvica, gravidez ectópica e infertilidade e, nos homens, inflamação nos testículos. Ela também aumenta o risco de pegar HIV.
Como se pega clamídia?
Ela é transmitida no sexo vaginal, anal ou oral sem camisinha e pelo compartilhamento de brinquedos sexuais. Não é preciso haver ejaculação. Também pode passar da mãe para o bebê durante o parto. Não é transmitida por beijo, abraço, toalhas, piscinas nem assentos de vaso sanitário.
Exame e diagnóstico
O diagnóstico é feito com exame de urina ou com coleta de material (swab) da vagina, da uretra, do reto ou da garganta, de acordo com as práticas que você teve. Você pode pedir o exame na unidade de saúde, em um serviço especializado em IST ou em algumas ONGs, e também existem kits para coletar a amostra em casa. Se o resultado for positivo, é recomendável fazer também o teste de outras IST, como gonorreia, sífilis ou HIV.
Tratamento da clamídia
A clamídia tem cura com antibióticos, normalmente doxiciclina por 7 dias ou, em alguns casos, uma dose única de azitromicina. Tome sempre com receita e complete o tratamento mesmo que os sintomas desapareçam antes.
Não tenha relações sexuais até terminar o tratamento de 7 dias (ou até 7 dias depois, se foi dose única), os sintomas sumirem e seus parceiros também terem sido tratados; senão, é fácil se infectar de novo.
Como contar para o seu parceiro que você tem clamídia
Contar é importante: seu parceiro pode ter clamídia sem saber e, se não se tratar, pode ter complicações ou passar a infecção de volta para você. Algumas dicas que ajudam:
- Informe-se antes para poder tirar as dúvidas dele: é uma infecção muito comum e tem cura.
- Escolha o momento e o meio: pessoalmente e num lugar tranquilo se for seu parceiro fixo; com um parceiro casual ou um ex, uma ligação ou uma mensagem pode bastar.
- Seja direto e evite culpas: a clamídia pode passar meses sem sintomas, então o diagnóstico não mostra quando nem de quem veio a infecção.
- Explique o que ele precisa fazer: fazer o exame, se tratar e não ter relações até terminar o tratamento.
- Dê tempo: é normal ele ficar surpreso no começo.
Se você não puder ou não quiser fazer isso pessoalmente, tem duas alternativas: pedir ajuda na sua unidade de saúde, onde em alguns casos os próprios profissionais avisam os contatos, ou enviar um aviso anônimo por SMS ou e-mail com o aviso IST, sem que apareça seu nome nem seu número.
Quem você deve avisar?
Como referência, as diretrizes clínicas recomendam avisar todas as pessoas com quem você teve relações sexuais nos 60 dias anteriores aos sintomas ou ao diagnóstico. Se você não teve nenhuma nesse período, avise seu último parceiro. Quando a infecção não deu sintomas, alguns protocolos ampliam o período para até 6 meses: siga o que o seu médico indicar.
Se você foi avisado de que pode ter clamídia
Se você recebeu um aviso de que um parceiro recente tem clamídia, isso não significa que você também tenha, mas vale a pena descartar. Agende uma consulta na unidade de saúde ou em um serviço especializado em IST e explique que um parceiro teve resultado positivo: é comum fazerem o exame e já darem o tratamento mesmo antes do resultado. Até lá, evite relações sexuais.
Como prevenir a clamídia
Usar camisinha em todas as relações, inclusive no sexo oral, reduz muito o risco. Se você tiver parceiros novos ou vários parceiros, faça exames periódicos mesmo sem sintomas e não compartilhe brinquedos sexuais sem lavar ou sem trocar a camisinha.
Perguntas frequentes sobre clamídia
A clamídia some sozinha?
Não espere ela sumir. Embora às vezes o corpo elimine a bactéria com o tempo, enquanto isso ela pode ser transmitida e causar complicações como infertilidade. Com antibióticos, ela tem cura em poucos dias.
Dá para pegar clamídia no sexo oral?
Sim. Ela pode infectar a garganta no sexo oral sem proteção, embora isso seja menos comum que a infecção genital e quase nunca dê sintomas.
Posso pegar clamídia de novo depois de me curar?
Sim. Ter tido clamídia não protege contra novas infecções. Por isso se recomenda repetir o exame cerca de 3 meses depois do tratamento.
Outras infecções sexualmente transmissíveis
Sífilis · Gonorreia · Herpes genital · HIV · Chato (piolho pubiano) · HPV e condiloma · Candidíase · Hepatites A, B e C · Tricomoníase · Sarna · Mpox (varíola dos macacos)
Fontes: Ministério da Saúde: infecções sexualmente transmissíveis (IST); CDC: guia de tratamento da clamídia (em inglês).Informação de caráter educativo atualizada em outubro de 2026. Não substitui a consulta com um profissional de saúde.
